Riverdale – uma série adolescente com menos clichês

Eu levo um tempo para refletir sobre as coisas que leio e assisto, em um primeiro momento posso achar ruim e depois pensar melhor e notar coisas que me faz soltar um belo: Peraí, isso foi interessante!

Esse foi o caso de Riverdale e avisando logo: esse texto contém vários spoilers sobre a 1ª temporada, então se você quer se empolgar e bancar uma de detetive é melhor nem ler.

Eu devo confessar que eu só fui assistir por causa do Cole Sprouse (Zack e Cody, eu curtia gente) e eu quase desisti depois do 2º episódio, aí eu resolvi dar uma nova chance e olha que foi bom ter voltado, realmente tem coisas interessantes.

Vamos começar! A série iniciou sua 1ª temporada já jogando o que seria a pergunta central da temporada: Quem matou Jason Blossom? Um garoto ruivo que foi passear com a irmã e aparentemente tinha sofrido um acidente e morrido, na verdade descobrimos logo no final do 1º episódio que ele foi assassinado. Eu pessoalmente não estava nem aí para quem matou o gêmeo da Cheryl e sim, mais preocupada se eles tinham ou não cometido twincesto, porque o relacionamento entre eles parecia para lá de estranho.

E aí nós somos apresentados aos principais: Archie, Veronica e Betty. Bom, essa série é inspirado nos quadrinhos do Archie e se alguém minimamente foi procurar saber sobre os quadrinhos que inspiraram a série, sabe que a base é nesse triângulo amoroso que de cara eu não queria ver, não queria! O plot de duas mulheres lindas e maravilhosas brigando por um cara, ao invés de deixarem esse cara para lá, não me parece uma coisa legal, além de ser muito batido.

E o primeiro episódio me apresentou exatamente isso, o segundo me mostrou um protagonista tapado e seu amigo a lá grilo falante, a voz da razão, Jughead; e garotas brigando e depois fazendo uma promessa de que não iam mais brigar por garotos, mas pareciam que iam brigar sim. E eu só pensava: Isso aqui vai ser uma série clichê: o popular, a perfeita, o esquisito, o amigo gay, tinha todos os elementos.

Mas aí surge o episódio 3 e gente que episódio, QUE EPISÓDIO! Vamos esquecer um pouco o “probleminha” da Betty (é óbvio que ela tem algum distúrbio mental), que eu acredito que irão explorar mais na 2ª temporada e focar em UNIÃO DE MULHERES. Que coisa maravilhosa ver um time de garotas se unirem, sem precisar de nenhum homem para salvá-las, que coisa linda. Esse episódio foi feminista e eu não esperava que uma série apresentada com tantos clichês, triângulo amoroso batido ia mostrar união de mulheres.

Somos Poderosas e sabemos!

E o episódio 4 nos deram um presente: uma conversa do Sheriff com seu filho, Kevin Keller, que é gay e eu simplesmente vi algo que EU NUNCA TINHA VISTO, uma conversa em que o Pai está preocupado com a segurança do filho e quer saber se não tem nenhum “garoto gay interessante na escola” ao que o filho só responde “sim, eu”. Ou seja, o filho dele ser gay NÃO É UM TABU, eu parei o vídeo nesse momento de tanta emoção, eu nunca tinha visto isso: Alô emissoras, precisamos mais disso!! Assuntos que são tratados como tabu e não deveriam ser, sendo tratados da forma mais normal possível.

Sheriff Keller: Um péssimo Sheriff, um ótimo pai!

 

 

 

E aí eu pensei: Tá, vou assistir até o final, mas espero que não me decepcione. Não me decepcionou, vou apresentar os pontos positivos da série:

A não disputa de mulheres por um cara só-> depois daquilo apresentado nos primeiros episódios, Betty seguiu a vida, começou a namorar e está bem feliz (o suficiente diante das circunstâncias); Archie me parece mais perdido do que cego em tiroteio; E Veronica parece realmente gostar de Archie e Betty está OK com isso, já que como eu disse antes, Betty superou Real Oficial o amigo de infância (e nem demorou tanto assim, foi só aparecer alguém legal)

Diversidade -> Apesar de achar que personagens como Reggie e a Josie deveriam ter um espaço maior de tela, devo confessar que fiquei feliz com o relacionamento gay, com as Pussycats sendo negras, o Reggie sendo asiático e a Verônica Lodge sendo Latina.¹ Não me incomoda o Jughead não ser assexuado como nos quadrinhos, seria legal se fosse em termos de representatividade? sim seria, mas isso dissolveu de vez um triângulo amoroso chatérrimo, que poderia gerar a usual disputa entre mulheres, então tudo bem.

Força das mulheres -> Vamos ser sinceros quem lembra do Archie quando se tem Verônica e Betty? Elas são incríveis e enfrentam cada coisa. Aliás a Cheryl também é super maravilhosa e a Valerie arrasa quando dá um pé na bunda do Archie. #TeamValerie

Os Pais -> Tem muita série de adolescente que eu vi e vivia me perguntando: Cadê os pais dessas crianças? Nessa, os pais são extremamente presentes, você conhece os pais do Archie, Betty e Polly, Veronica, Kevin, Jughead, Josie, Cheryl e Jason e até do Chuck (o pai dele é o treinador, Jughead fala isso no episódio 3). São muitos pais e eles são bem presentes em toda a história, tão presentes que eu acho que a maioria desses adolescentes deveriam ir urgentemente ao psicólogo, devido aos dramas familiares.

A mocinha indefesa na verdade é um garoto -> Apesar da sua resiliência, do humor sarcástico e de ser um esquisito, que não tira o chapéu e isso é estranho (HAHAHAHHAHA).   Vamos admitir que a mocinha indefesa da história é o Jughead. O garoto é a vítima das circunstâncias, o tanto de tristeza que acontece com esse garoto é quase inacreditável, é difícil não assistir Riverdale e não soltar um “Tadinho”. ³

Coisas para os roteiristas não fazerem mais:

Triângulo Amoroso – Por favor, eu imploro: Não voltem com o triângulo Betty-Archie-Veronica! Tem muitos motivos para eu não querer de volta isso, mas o principal é: não é interessante!

Não façam o Jughead se vitimizar de novo – Juggie foi nos apresentado como um personagem forte o bastante que por mais pedreiras na vida apoiava os amigos e tal, ele virou um sem teto e ninguém nem ao menos percebeu,  eis que surge isso:

HAHAHAHAHAHHA Roteiristas, o que foi isso?

E isso? HAHAHAHHAHAHAHAH

Teve todo o motivo do mundo para virar meme e chacota. O personagem foi aquele que não tinha onde dormir e não saiu chorando pelos cantos; segurou um choro ao ser desprezado pela mãe; ao saber que ia ser mudado de escola ao invés de sei lá fugir, foi conhecer os novos parças, é essa linha que eu curto do personagem. Sem discursinho de autoafirmação do quanto ele é anormal, ele não precisa disso, OK?

Coisas que eu gostaria de ver:

Archie –  O personagem ter um plot decente e isso explica bem o porquê de eu dizer isso:

Tumblr /shakerrmakerr.tumblr.com/

HAAHAHHAHAHAH brincadeiras a parte, eu só me interessei com o que aconteceria com o personagem no minuto final da 1ª temporada. O cara deveria ser o principal, e enquanto os amigos estão investigando, chorando, sofrendo, tendo pais abusivos e horríveis, ele sofre por causa de música, futebol americano e garotas, nem para ficar traumatizado com um caso de pedofilia, ele serviu. ²

Reggie e Pussycats – Eles precisam de mais tempo de tela, simples assim. Já fiquei sabendo que o Reggie é importante nos quadrinhos e ele não teve nenhuma trama; já sobre as Pussycats, tem uma lá que eu não vi ela falando nenhuma vez, a trama da Josie foi mal explorada e a Valerie merece alguém melhor que o ex, Archie. #TeamValerie

Bom, fora isso eu acho que eles estão fazendo um bom trabalho, e vocês o que acharam da temporada?

 

  1. Na série, tanto Verônica como sua mãe são latinas e já soltaram coisas em espanhol, na vida real Camila Mendes, sua interprete, tem pais brasileiros e fala na verdade Português.
  2. Sobre isso de pedofilia, eu vi gente horrorizada (principalmente, gringos), mas aqui no Brasil com 16 anos você pode se envolver com alguém maior de idade, e por mais escroto seja isso de professor e aluno, eu não consegui abstrair o fato de ele não ser uma criança! E sobre o incesto no final da temporada, eu achei também de boa, tenho caso na família de primos que se casaram, não acho tão estranho quando acontece entre pessoas distantes da família. Confesso que ia achar mais escandaloso se fosse os gêmeos, isso teria sido bizarro, mas eu ainda desconfio, não é normal esse amor da Cheryl pelo Jason.
  3. Eu acho que o Cole Sprouse está fazendo um trabalho muito bom, não lembra em nada ao Cody Martin de Zack e Cody, o tempo na atuação fez bem a ele e o ator consegue entregar um boa carga dramática.
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